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O Fio de Meiembipe

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  O Fio de Ariadne (melhor dizer: O Fio de Meiembipe ou talvez: O labirinto da Ilha) Bom dia...  ilha de névoas leves, de morros que guardam silêncio antigo, onde a mata respira histórias e a pedra ainda sussurra caminhos. Entre trilhas abertas e esquecidas, há um labirinto que não é de muros — mas de descuidos, de pressas, de passos sem consciência. Não há um único Minotauro. Ele se esconde em muitos rostos: na erosão que sangra a encosta, no lixo que cala o riacho, na trilha ferida pelo excesso. E, ainda assim, não estamos perdidos. Pois há quem leve nas mãos um fio invisível — tecido de cuidado, de conhecimento, de vontade coletiva. Esse fio não prende, não impõe, não domina. Ele orienta. É o gesto de quem marca a trilha para que outros não se percam. É a ponte simples sobre o banhado, o respeito à nascente, o olhar atento ao que resiste. É o chamado dos Guardiões, não como heróis isolados, mas como comunidade desperta. E assim, passo a passo, vamos atravessando o labirinto...

O Sino que não caiu.

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São João Batista - onde o tempo ainda reza em guarani .     Conto missioneiro extraído do Livro: De Volta à Missão      Ruinas de São João Batista. Município de Entre-Ijuis.    A guerra guaranítica continuava... as forças unidas de Espanha e Portugal eram inclementes - Isolada na igreja da redução de São João Batista; longe dos sábios conselhos do Padre Antônio Sepp - Kauany rezava. Não sabia mais para quem recorrer... Temerosa se revoltou contra os deuses!    Tupã havia abandonado aquele povo que tanto buscava a terra sem males. Ela não encontrava respostas adequadas. Distante de Apoema Kauany sentia-se enfraquecida. Apesar da independência que tinha para conduzir a sua existência terrena, o amor de Apoema era a única coisa que lhe fortalecia. Nada sabia sobre Apoema, que com coragem e determinação seguiu junto com Sepé Tiaraju para combater um inimigo maldoso e diferente. Somente silêncio e morte rondavam o pensamento de Kauany. Onde e...

A história também é feita de inconsequências.

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  O juiz encarou o homem que acabara de disparar contra o presidente egípcio Anwar Sadat e perguntou, em tom sereno: — Por que você o matou? — Porque ele era seglar. O silêncio que se instalou foi mais pesado que qualquer sentença. — O que significa “seglar”? — insistiu o juiz. O homem hesitou, engoliu em seco. — Eu não sei. Em outro tribunal, outro réu. Desta vez, acusado de tentar assassinar o escritor Naguib Mahfouz. — Por que o esfaqueou? — Porque ele escreveu um romance contra a religião. — Você leu o livro? — Não. Em uma terceira sala, mais um julgamento. O acusado havia matado o intelectual Farag Fouda. — Por que você o matou? — Porque ele não tinha fé. — Como você sabe? — Está nos livros dele. — Em qual livro? Silêncio. — Eu não sei. Nunca li. — Por quê? O homem abaixou a cabeça, como quem admite aquilo que todos já compreendem. — Eu não sei ler nem escrever. Três julgamentos. Três mortes. Um mesmo padrão. Matava-se por ideias que não se entendiam. Condenava-se por palavras...

O Silêncio.

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     Com as atribulações da vida, tantas vezes deixamos de lado coisas que gostamos. A poesia sempre exerceu em mim um grande fascínio. Apesar de meus parcos conhecimentos literários; a palavra domina minha mente, encanta o meu espírito. Para não deixar passar essa ânsia de escrever, vou retomar esse blog esquecido; talvez ele me ampare nessa angústia da solidão; tentando clamar para o mundo inteiro, que sempre poderemos construir algo melhor! O Silêncio   O silêncio é véu de mistério, Onde o verbo repousa antes de nascer. É ventre do mundo invisível, Onde o espírito dorme... Onde o espírito desperta. Nada nele é vazio: Cada pausa é um templo Cada sombra; uma centelha escondida. Quem o escuta, Atravessa portais antigos; Onde a mente se cala E o coração compreende o indizível. No silêncio a alma recorda Seu nome primordial... Aquele que o vento murmura, Quando toca as montanhas. O silêncio não é ausência... É presença inteira. É pausa que semeia o verbo... É fonte que...

A morte de Apoema. Um Conto Missioneiro - Capítulo do livro: De volta à Missão.

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           Os sete povos da missões; sempre exerceram grande influência sobre o meu imaginário. Mais de trinta anos convivi naquela região. Morei nas margens do Rio Urubucaru, entre as ruínas de São João Batista e São Miguel Arcanjo; de quebra, São Lourenço Mártir ficava ali pertinho também. Muitas vezes circulei por estas ruinas, estendendo a minha busca até São Nicolau; São Francisco de Borja; São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo Custódio (ou apenas Santo Ângelo - onde estabeleci residência).          O destino me afastou das Missões; mas na lembrança ainda circulo por aquelas ruinas, ouço os sinos do passado e percebo o burburinho agitado das milhares de almas, que deram vida ao local. Por isso me propus a escrever um romance, que terá por nome: "De volta à Missão"          A correria da vida tem me dificultado tempo para escrever, mas deixo para os amigos uma palhinha do que será o livro. Uma mistura de reali...

Costão leste do Morro dos Ingleses1

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Reserva Araponga - Pedacinho de paraíso na terra!

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     De vez em quando acontecem algumas coisas na vida da gente, que nos surpreendem profundamente; coisas inesperadas, que não programamos e nem imaginávamos programar. De repente, uma mensagem no WhatsApp, nos coloca em contato com uma pessoa desconhecida, para falar de assuntos que jamais passariam pela nossa mente. Foi exatamente isso que aconteceu, quando recebi uma mensagem do Christian Dobereiner; para tratar de assuntos pertinentes, a uma reserva natural particular, propriedade dele, onde está sendo construído um acampamento base, a fim de abrigar aventureiros, adeptos da natureza selvagem. Conheça um pouco mais sobre a Reserva Araponga, um pedacinho de paraíso na terra.     Falar da Reserva Araponga não é tão simples assim, pois demanda conhecimento profundo da região, então comecemos falando do projeto. Infelizmente a natureza vem sendo devastada de forma acelerada, por diferentes motivos. O desmatamento certamente é um dos mais importantes; é justamen...

A incomunicável era das comunicações

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  Vale da Utopia             Vivemos momentos interessantes na atual sociedade. Algo surreal, que dificilmente consegue ser explicado através da filosofia. Talvez algum filósofo ultra moderno e muito jovem consiga interpretar o momento atual, entretanto, me parece, não há intenção para tal feito. Antigamente, não existiam celulares, televisões nem satélites, o máximo disponível para nos integrarmos ao mundo, quase que imediatamente, era o rádio. Cartas demoravam muito e o telégrafo não custava barato. Algumas pessoas, em busca de atualizações, devoravam jornalões imensos (aliás nunca soube porque um jornal tinha aquele tamanhão). Hoje a comunicação é instantânea! Dispõe de tantos meios que nem consigo enumerá-los... mas, confesso, não conheci, no espaço da minha existência física, um período em que as pessoas fossem tão desinformadas. É como se tivéssemos uma biblioteca pública gratuita à disposição das pessoas; contendo todos os livros já escritos n...