O Fio de Meiembipe

 O Fio de Ariadne (melhor dizer: O Fio de Meiembipe ou talvez: O labirinto da Ilha)



Bom dia...

 ilha de névoas leves,

de morros que guardam

silêncio antigo,

onde a mata respira histórias

e a pedra ainda sussurra caminhos.


Entre trilhas abertas e esquecidas,

há um labirinto que não é de muros —

mas de descuidos,

de pressas,

de passos sem consciência.


Não há um único Minotauro.

Ele se esconde em muitos rostos:

na erosão que sangra a encosta,

no lixo que cala o riacho,

na trilha ferida pelo excesso.


E, ainda assim,

não estamos perdidos.


Pois há quem leve nas mãos

um fio invisível —

tecido de cuidado,

de conhecimento,

de vontade coletiva.


Esse fio não prende,

não impõe,

não domina.


Ele orienta.


É o gesto de quem marca a trilha

para que outros não se percam.

É a ponte simples sobre o banhado,

o respeito à nascente,

o olhar atento ao que resiste.


É o chamado dos Guardiões,

não como heróis isolados,

mas como comunidade desperta.


E assim, passo a passo,

vamos atravessando o labirinto do nosso tempo —

não para derrotar um monstro,

mas para reconciliar caminhos.


Que hoje,

ao pisarmos na terra de Meiembipe,

possamos lembrar:


o fio já está em nossas mãos.


Basta não soltá-lo.

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