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Mostrando postagens de janeiro, 2026

O Sino que não caiu.

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São João Batista -onde o tempo ainda reza em guarani.        As reduções Jesuíticas sempre exerceram certo fascínio sobre minha mente. Atualmente o município de São Miguel das Missões; abriga as ruinas da antiga redução de São Miguel Arcanjo, talvez a mais explendorosa redução dos "trinta pueblos". Entretando, por razões que minha vã filosofia não consegue explicar; tenho uma paixão especial pela Redução de São João Batista, fundada pelo Padre Antônio Sepp. Ela é cenário do meu primeiro romance... espero que eu tenha tempo de vida suficiente para publicá-lo, mas se não tiver, deixo para os amigos uma pontinha do conteúdo do livro. Ruinas de São João Batista. Município de Entre-Ijuis. O sino que não caiu Na madrugada anterior ao combate, a redução de São João Batista respirava como um animal ferido que ainda não sabe que vai morrer. A neblina vinha do rio como um incenso antigo, cobrindo as casas de pedra, o colégio, a igreja e o pátio onde, séculos depois, apenas o...

A história também é feita de inconsequências.

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  O juiz encarou o homem que acabara de disparar contra o presidente egípcio Anwar Sadat e perguntou, em tom sereno: — Por que você o matou? — Porque ele era seglar. O silêncio que se instalou foi mais pesado que qualquer sentença. — O que significa “seglar”? — insistiu o juiz. O homem hesitou, engoliu em seco. — Eu não sei. Em outro tribunal, outro réu. Desta vez, acusado de tentar assassinar o escritor Naguib Mahfouz. — Por que o esfaqueou? — Porque ele escreveu um romance contra a religião. — Você leu o livro? — Não. Em uma terceira sala, mais um julgamento. O acusado havia matado o intelectual Farag Fouda. — Por que você o matou? — Porque ele não tinha fé. — Como você sabe? — Está nos livros dele. — Em qual livro? Silêncio. — Eu não sei. Nunca li. — Por quê? O homem abaixou a cabeça, como quem admite aquilo que todos já compreendem. — Eu não sei ler nem escrever. Três julgamentos. Três mortes. Um mesmo padrão. Matava-se por ideias que não se entendiam. Condenava-se por palavras...